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Doadores de órgãos precisam avisar a família sobre sua vontade

- Cadastrada em: 25/09/2020, Ronaldo Diegoli, Assessoria de Comunicação e Imprensa Famesp

Trabalho de conscientização é fundamental para que mais pessoas tomem a decisão de forma consciente, falando com a família, e mais transplantes possam ser realizados    

O verde da saúde e da esperança vale muito para quem está à espera por um órgão na fila do Sistema Nacional de Transplantes, e por isso também dá cor à campanha setembro verde. Focada na conscientização sobre a importância da doação de órgãos, ela ganha ainda mais força com o Dia Nacional do Doador de Órgãos, no dia 27 deste mês, data importante para homenagear pessoas que com um ato heroico puderam salvar vidas, ao contar às suas famílias sobre a vontade de doar seus órgãos.

No Hospital de Base de Bauru (HBB), a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT) realiza o trabalho que permite salvar a vida de muitas pessoas, nos casos em que há possibilidade de captar órgãos. Em momento adequado, com muito cuidado e preparo, os profissionais esclarecem as dúvidas de todo o processo e perguntam se há o desejo de doar os órgãos. Quando há o consentimento, inicia-se o processo junto à Organização de Procura de Órgãos (OPO). Durante a pandemia, a equipe do Hospital de Base também faz coleta do RT-PCR para Covid-19 e envia para o HC de Botucatu, e com o resultado negativo inicia-se o processo de captação.

Coordenadora da CIHDOTT do Hospital de Base de Bauru, Paula Dalsoglio Garcia

O que fazer para ser doador de órgãos?

“Essa é uma dúvida muito comum e muito frequente, mas quando há interesse em ser doador, só é preciso avisar os familiares porque são eles que vão possibilitar a realização desse desejo”, explica a coordenadora da CIHDOTT do Hospital de Base de Bauru, Paula Dalsoglio Garcia. De acordo com a médica, apenas parentes de primeiro e segundo graus podem assinar uma autorização para doação de órgãos no momento em que é constatada uma morte encefálica, e se eles souberem que o ente querido gostaria de doar seus órgãos, facilita a decisão para os familiares. “Coisas importantes precisam ser ditas em vida e quando falamos aos nossos familiares do nosso desejo de doar os órgãos, a gente tira das costas deles um peso enorme de tomar uma decisão tão importante em um momento tão difícil, na perda de um ente querido”, ressalta. Muita gente acha que precisa registrar em cartório ou expressar a vontade de ser doador em algum documento específico, mas nada disso é necessário.

Setembro verde

Essa campanha tem feito a diferença na conscientização da população quanto à importância de doar os órgãos, mas é preciso falar mais sobre o tema na avaliação da coordenadora da CIHDOTT do HBB. “Falar sobre morte ainda é um tabu e nós precisamos quebrá-lo, falando sobre doação e o benefício que se pode fazer por outra pessoa, pois mesmo após a morte eu posso deixar uma parte minha viva, eu posso dar vida e permitir uma melhora da qualidade de vida de outra pessoa que ainda está aqui” lembra. “A morte é inevitável, mas o que podemos fazer mesmo depois de partir é uma escolha nossa, a doção é um ato de amor”, pondera. As pessoas que sabem dos benefícios de quem recebe um transplante com certeza acabam doando, e a campanha tem a importante função de conscientizar e explicar na avaliação de Garcia. “Eu sou doadora e tenho plena consciência do benefício que vai trazer para quem fica, e as pessoas tendo a informação com certeza também vão optar pela doação”.

Dados

O Hospital de Base, unidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) sob gestão da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), atende pacientes de 38 municípios da região de Bauru, com atendimentos de Urgência e Emergência, cirurgias eletivas e Serviço de Neurologia Clínica, com um total de 160 leitos. De janeiro até agosto de 2020 o Hospital captou 80 órgãos de doadores falecidos. Fígado e rins são os órgãos mais captados no Hospital de Base, seguindo o padrão nacional, de acordo com a médica Paula Dalsoglio Garcia.

Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de transplante e estão aguardando em uma lista de espera unificada e informatizada, em uma mesma base de dados. Cabe à Central Estadual de Transplantes, por meio desse sistema, gerar a lista de receptores compatíveis com o doador em questão. De acordo com o Ministério da Saúde, se não existirem receptores compatíveis no Estado ou o mesmo não realizar a modalidade de transplante referente ao órgão doado, o mesmo é ofertado à Central Nacional de Transplantes para a distribuição nacional.

De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos mais de 40 mil pessoas esperam por um transplante no Brasil, sendo 17.127 só no Estado de São Paulo. São vários os fatores que determinam esse tempo de espera por um transplante, e o tipo de órgão que o paciente necessita também é determinante. A nefrologista do Hospital de Base, Paula Garcia, explica que o órgão que o paciente necessita também determina esse tempo. “No Brasil, a recusa familiar à doação de órgãos é um grande limitante da captação, então nós precisamos falar desse assunto muitas vezes, orientar a população, tirar as dúvidas, para que o não na hora da doação diminua”, reforça. Para ela, o número de recusas pode diminuir com mais pessoas tomando essa decisão de forma consciente. “Mais órgãos poderiam ser captados e poderíamos suprir a lista de transplantes de uma maneira melhor”, justifica.

SONORAS - nefrologista e coordenadora da CIHDOTT do Hospital de Base de Bauru, Paula Dalsoglio Garcia.

1 Trabalho da CIHDOTT - Paula Dalsoglio

2 Atuação da CIHDOTT HBB captação de órgãos na pandemia - Paula Dalsoglio

3 Avise os familiares que é um doador - Paula Dalsoglio

4 Órgãos mais captados no HBB e no Brasil - Paula Dalsoglio

5 tempo de espera do receptor - Paula Dalsoglio

6 Campanha setembro verde - Paula Dalsoglio

7 Agradecimento às famílias que disseram Sim - Paula Dalsoglio

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